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Como dominar o Centro
Como dominar o Centro

 

Importância do centro‏ no Xadrez 

 


As casas e4, d4, e5 e d5 no centro do tabuleiro são muito importantes. Elas comparam-se a uma colina do alto da qual pode se ver todo o campo de batalha ou lançar um ataque nocauteador a qualquer alvo no tabuleiro.
A luta pelo centro começa mesmo nos primeiros lances. O lado que conquista uma vantagem no centro (ou o ocupa) geralmente garante uma facilidade de mover suas peças, de um lado para outro do tabuleiro, o que constitui uma vantagem para suas forças.
Cem anos atrás o combate pelo centro era bem mais descomprometido e cavalheiresco. As Brancas em geral corriam e ocupavam o centro com os seus Peões e dispunham-se razoavelmente a sacrificar material. Os gambitos, ou as aberturas em que se entregava material, estavam muito em voga.
1.e4 e5
2.f4! exf4
Atualmente a resposta mais comum é o contra-gambito 2... d5 3.ex5d d4!, tornando o combate central mais sutil
3.Cf3
O Cavalo defende a casa h4 de um possível check com a Dama e ainda prepara para o avanço do peão em d4 com a proteção do Cavalo.Wilhelm Steinitz (1836- 1900), oficialmente considerado o primeiro campeão mundial, gostava de jogar 3.d4, de modo a permitir 3... Dh4+ 4.Re2. Ele acreditava que ter uma vantagem no centro era mais importante, do que uma boa proteção para o Rei.

3... g5
4.Bc4 g4 



5.O-O! gxf3

6.Dxf3 Df6

7.d3 Bh6

8.Cc3 Ce7




9.Bxf4 d6

10.Bxh6 Dxh6

11.Dxf7+ Rd8

12.Tf6 Dg5

13.Taf1




Esta foi a continuação de uma das partidas disputadas pelo grande enxadrista russo Mikhail Chigorin, em 1878. As Brancas sacrificaram uma peça e desencadearam um forte ataque, onde a sua superioridade no centro desempenhou um papel decisivo.

O eminente enxadrista americano Paul Morphy (1837-1884) ilustrou de modo mais prático a estratégia das Brancas no centro.


P. Morphy - J. Arnous de Rivière
Paris 1863

1.e4 e5
2.Cf3 Cc6
3.Bc4 Bc5
4.b4 Bxb4


5.c3 Bc5
6.O-O d6
7.d4 exd4
8.cxd4 Bb6
9.Cc3




Naquela época esta posição interessantíssima não ficava nada a dever à atual popularidade da abertura espanhola. Ao sacrificar um Peão, as Brancas obtém uma clara vantagem no centro, onde elas mantêm um poderoso par de Peões que, se usado como um escudo sólido, permite que as Brancas reagrupem suas forças conforme necessário. As Brancas também estabeleceram um forte controle sobre o centro do adversário, i.e., dois ataques contra duas defesas à casa e5 e três ataques à casa d5, que não conta com defesa alguma.


As Pretas não podem jogar 9... Cf6 porque aí se expõem ao ataque 10.e5! dxe5 11.Ba3! Bxd4 12.Db3! Be6 13.Bxe6 fxe6 14.Dxe6+ Ce7 15.Cxd4 exd4 16.Tf1!
Considera-se que a melhor resposta para as Pretas é 9... Bg4, continuando após 10.Bb5 com 10... Bd7 ou 10... Rf8. J. Arnous de Rivière fez um lance natural, mas infeliz, que permitiu, às Brancas, tirar partido de uma outra vantagem, do seu par de Peões no centro - a sua mobilidade. De fato, enquanto os Peões estão fixos na casa e4 e d4 eles provocam uma situação à qual as Pretas podem se adaptar. Mas cada um destes Peões pode avançar, criando novas situações para as quais as Pretas terão que achar uma defesa, o que é consideravelmente mais difícil. Por isto é que um "centro móvel" de Peões é um fator importante na hora de se avaliar as chances de ambos os lados na batalha que se anuncia.
9... Df6
10.Cd5 Dg6
11.Cf4! Df6
12.e5!

O Peão central avançou e criou uma situação na qual as Pretas, em vez de desenvolver suas peças, têm de se preocupar com a defesa do seu Rei. Será preciso um esforço formidável, já que a maior parte das peças Pretas está ainda presa nas suas posições iniciais. É neste ponto que as Brancas - valendo-se da sua vantagem com relação ao número de peças efetivamente envolvidas no combate - executam uma operação típica: abrir o centro (eliminando os seus próprios Peões e também os do inimigo) para dar passagem às peças maiores. Quando o centro está aberto, o papel das peças aumenta consideravelmente, e o seu posicionamento é revestido de uma importância crítica.

Esta etapa exige cálculo e precisão excepcionais.

12... dxe5
13.dxe5 Df5
As Pretas não podem, certamente, tomar o Peão com 13... Cxe5? 14.Cxe5! Dxe5? 15.Tel, após o que as Brancas ganham a Dama Preta com essa cravada com a Torre, impedindo que a retirada da Dama pois deixaria o Rei em check. E o Peão do Rei continua a movimentar-se para a frente.
14. e6
14 ... f6


As Pretas não melhoram a sua situação com 14... fxe6 15.Cxe6 Bxe6 16.Bxe6! Df6 17.Dd7+ Rf8 18.Bb2! (por isso é que o Peão saiu da casa e5) 18... Dxb2 19.Df7#. Agora o Peão na casa e6 divide o contingente das Pretas em dois e o seu valor é revestido de uma importância ainda maior. As Brancas só precisam impedir que o Rei Preto consiga fugir para um dos lados.
15.Ch4! Dc5
16.Be3! Dg5   
 [Se 16... Dxg4 segue 17.Dh5+, se defender com g6 18.Chxg6 ganhando a Torre Preta.]



17.Cf3 Da5
18.Bxb6 Dxb6
19.Cd5 Da5
20.Cd2!

Agora as Pretas não podem fazer nada contra a ameaça à Torre em a8 após 21.Cb3 e 22.Cxc7+, nem contra a ameaça não menos importante Dh5+. O fim está próximo.
20... Cd4
21.Cb3 Cxb3
22.axb3 Dc5



23.Dh5+ Rd8  
Com 23... g6 24.Cxf6+, perde-se a Dama
24.Tad1
Não há como fugir das graves conseqüências do xeque descoberto (25.Cb6+; o Cavalo deixa a coluna da Dama expondo o Rei inimigo à Torre), portanto as Pretas abandonaram.
É essencial que cada lado preste atenção à formação dos Peões no centro e tente fazer com que os seus predominem.
Às vezes apenas um Peão se mantém no centro. Esta situação cria novos problemas como, por exemplo, ocupar um "posto avançado" no centro, que de modo geral permite que as peças possam ser utilizadas de modo mais vantajoso, determinando assim uma superioridade em relação ao adversário.
T. Petrosian - Kozma
Munique 1958
1.Cf3 Cf6
2.d4 e6
3.Bg5 c5
4.e3 b6?!


O modo despretensioso como as Brancas jogam a abertura, diminuiu a vigilância das Pretas e permitiu que, por causa deste lance aparentemente natural, seu adversário ocupasse um posto avançado no centro com uma peça.
5.d5! exd5
6.Cc3 Bb7
7.Cxd5! Bxd5
8.Bxf6 Dxf6
9.Dxd5

As Brancas têm um forte posto na casa d5, já que as Pretas não podem forçar a saída da Dama desta posição nos próximos lances.

Ao mesmo tempo, as debilidades das Pretas na coluna da Dama são permanentes e podem adquirir grande importância.


 Os enxadristas experientes nunca dão início a ataques nos flancos sem antes consolidar suas posições no centro. 


No diagrama a seguir, as Brancas, sem terem feito o necessário Cc3, iniciaram um ataque de Peões na ala do Rei. Isoladamente não é uma ameaça muito grande. Em uma partida por correspondência, entre Neergard e Simagin, em 1964, as Pretas provaram o perigo que ele representa para as Brancas (!) de modo bastante convincente.





1... b5!!
2.cxb5 d5!!
3.exd5 e4!
4.Dxe4
A 4.fxe4 seguir-se-ia 4... Ce5!, mas ainda assim as Brancas ficam em uma posição desconfortável.
4... Bxg4
5.Df4 Bh5
6.Rf2 Ce5
7.Bg2 Bd6
8.Da4 Tc8!
9.Td2 Df6

Em poucos lances a posição Branca, que parecia sólida, desmoronou a partir de um contraataque no centro no momento correto. A partida continuou:
10.Bg5 Df5
11.Cf4 Bxf3
12.Bh3 
 Se 12.Bxf3 Cxf3 13.Rxf3 segue-se 13... Tc3+ 14.Rf2 Bc5+ 15.Rf1 Tf3+ 16.Rg2 Dg4+.


12... Bg4
13.Rg2 Tc2

e as Brancas abandonam, pois a seqüência 14.Thd1 Bxh3+ 15.Cxh3 Df3+ ou 14.Tf2 Txf2+ 15.Rxf2 Cd3+ é decisiva.
Portanto, tente controlar as casas centrais, protegê-las e nunca subestime o seu valor!

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